Haicai, Verso e Prosa

Letras e Sentimentos

Diário
17/04/2009 14h31
Contemplação da lua - Rio de Janeiro - 2009

GRÊMIO HAICAI “ÁGUAS DE MARÇO”  E GRÊMIO HAICAI SABIÀ
 
 
Onde foi?
 
 Forte de Copacabana 
 
O Forte de Copacabana localiza-se na ponta de Copacabana, ao final da praia e bairro de mesmo nome, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Oficialmente denominado como Museu Histórico do Exército / Forte de Copacabana (MHEx/FC), registra, atualmente, um fluxo de cerca de dez mil visitantes por mês, constituindo-se em um dos mais belos cartões-postais da cidade. O turista pode escolher entre a visita restrita (apenas às áreas externas) e a completa (incluindo o interior do forte e o Museu histórico-militar).
 
 A Confeitaria Colombo localiza-se no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, sendo um dos principais pontos turísticos da Região Central da cidade. A confeitaria foi fundada em 1894 pelos imigrantes portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, tendo um extenso rol de clientes célebres entre a sociedade brasileira. Entre os clientes famosos da confeitaria estão Chiquinha Gonzaga, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Villa-Lobos, Lima Barreto, José do Patrocínio, Getúlio Vargas , Juscelino Kubitschek, entre muitos outros. A tradicional casa possuiu uma filial na avenida Nossa Senhora de Copacabana, no bairro de Copacabana (atualmente uma agência do Banco do Brasil). Mais recentemente, abriu uma filial nas dependências do Forte de Copacabana.
 
 Quando foi?
 
 Na quinta-feira, dia 09 de abril
 
Em noite poética, haicaístas do Rio de Janeiro, Niterói e Magé reuniram-se na Confeitaria Colombo, nas dependências do Forte de Copacabana para o (tsukimi), contemplação da lua. Durante o outono, quando a lua cheia surge esplendorosa os japoneses costumam admirá-la e aproveitam para compor poemetos conhecidos por haicai ou haiku, acompanhados de comida e bebida.

Para os haicaístas, a estação do outono tem um significado de grande introspecção. A lua de outono é um dos temas preferidos deste exercício poético.
 
Contrariando a meteorologia que previa chuva para o início da noite, a lua surgiu cedo, em um visual deslumbrante, favorecido pela beleza do local. Os haicaístas compuseram seus poemetos, que aqui aparecem em ordem alfabética.
 
 Haicais
 
Parque iluminado –
Cobre toda a enseada
luz da lua cheia.
 
++++
 
Murmúrio das ondas,
no embate contra a murada ...
Sobe a lua cheia.
 
++++
 
Final da alameda
Entre as árvores, desponta
a primeira lua.
 
Benedita Azevedo
 
 
Entre as nuvens
a lua cheia desponta...
Bem-vinda à estação !
 
Geraldo Matos
 
 
Noite sobre o mar.
Súbito, no horizonte
desponta a lua ...
 
++++
 
Caindo a noite ...
Entre os estreitos esparsos
brilha a lua cheia.
 
++++
 
Oculta entre as folhas
de amendoeiras copadas...
A primeira lua !
 
 Guin GA
 

Bela lua cheia
reflete a luz sobre as águas.
Marulhar suave...
 
++++
 
No céu poucas nuvens ---
E a lua cheia, soberana,
reina em plenitude.
 
++++
 
Ah... a lua cheia
brilha no céu, sobre o parque.
Risos de criança...
 
 Iraí Verdan
 
 
Lua de abril
Nascimento de Buda,
iluminação.
 
++++
 
Noite no Forte...
A lua ilumina as ondas
quebrando sobre a pedra.
 
++++
 
No céu, lua cheia
Outra lua no mar
Buda sorrindo...
 
 Lourdes Fontes
 
 
As luzes da noite,
O beijo da areia e mar.
É lua cheia.
 
++++
 
Paz de lua cheia!
A cidade iluminada
Ouve o mar cantando.
 
++++
 
Lá no mar, marola
Homenagem de Iemanjá
Luz da lua cheia.
 
Marilza de Castro
 
 
Nuvens migratórias.
Quando se abre uma nesga
aparece a lua !
 
 Nelson Savioli
 
 
Ah, a lua cheia
despontando lá no céu...
Encanto na noite.
 
++++
 
Eis a lua cheia,
A soberana do céu...
Mágica no ar.
 
++++
 
Magia no ar.
A lua cheia adornando
noite tão escura.
 
 Vanise Buarque.
 
 
lentamente
entre nuvens que a escondem
surge a lua cheia
 
++++
 
um cheiro doce
das flores que anunciam
a lua cheia
 
++++
 
na noite vazia
só o silêncio tudo vela...
e a lua cheia ...
 
 Yara
 
 
 
 
 
 


Publicado por Benedita Azevedo em 17/04/2009 às 14h31
 
10/04/2008 12h34
Grêmio Haicai Sabiá inaugurado em Magé

Foto: Em sentido horário: De pé: Edson, Guim  Ga, Teruko e Sr. Oda. Sentados: Iraí Verdan, Sérgio, Juliana e Benedita

O Grêmio Haicai Sabiá, na cidade de Magé, estado do Rio de Janeiro, foi inaugurado oficialmente em 17 de junho de 2006, com a presença dos haicaístas do Grêmio Haicai Ipê, Edson Kenji Iura, Teruko Oda, Guin Ga Eden, Valdir Peyceré, Sérgio Brown e Juliana Bittencourt, e os haicaístas do novo Grêmio: Demétrio Sena, Maria Madalena Ferreira, Iraí Verdan e Benedita Azevedo.

 Prestigiaram a inauguração, intelectuais de outros gêneros literários: Maria Nascimento, presidente da UBT-RJ (União Brasileira de Trovadores, seção Rio de Janeiro), Marilza Albuquerque de Castro, presidente da APALA (Academia Pan-americana de Letras e Artes) e do IBRACI (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais), Reinaldo José Ferreira, Presidente da Academia Mageense de Letras e Alzir Ferreira, tesoureiro da AML. Os haicaístas Demétrio Sena e Iraí Verdan também pertencem à AML.

 A inauguração se estendeu pelos dias 17 e 18 de junho, sendo realizadas duas atividades de composição de haicais. A primeira foi uma caminhada no calçadão das Praia do Anil e Olaria (trajeto de cerca de 2 km), na tarde de sábado. Os haicais compostos durante o passeio foram submetidos à avaliação do grupo, tendo sido escolhidos os melhores.

 Na manhã de domingo, em uma nova atividade, os haicaístas fizeram uma caminhada por uma trilha nas encostas da Serra do Mar, compondo mais haicais que foram avaliados posteriormente pelo próprio grupo. Assim se encerrou a programação do evento.

 O objetivo principal do Grêmio Haicai Sabiá é levar esta modalidade de poesia às crianças e adolescentes das escolas e atendê-los em seu espaço sempre que precisarem de orientação. Mas o Grêmio está de portas abertas para todos aqueles que desejarem estudar e compor haicais. O grupo inicial está formado por Demétrio Sena, Maria Madalena Ferreira, Iraí Verdan e Regina Célia de Andrade, sob a coordenação de Benedita Azevedo. O grêmio funcionará em caráter permanente com reuniões mensais.

 Endereço:
Rua Carlos Franco, 179
Praia do Anil, ­Magé,­ RJ
25930-000

 E-mail: bsazevedo@uol.com.br

 Benedita Silva de Azevedo, coordenadora do novo grêmio, é vice-presidente da AML - Academia Mageense de Letras, membro do Grêmio Haicai Ipê, diretora cultural adjunta da Academia Pan-Americana de Letras e Artes (APALA), membro fundador e assessora de divulgação do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (IBRACI), membro fundador da Academia Virtual de Letras Luso-Brasileira e membro do Portal CEN "Cá Estamos Nós" de escritores luso-brasileiros.


Publicado por Benedita Azevedo em 10/04/2008 às 12h34
 
10/04/2008 12h27
Foto: Em sentido horário: de pé,Edson Kenji Iura, Terko Oda, Guim Ga, Maria Nascimendo e Juliana

Grêmio Haicai Sabiá

HAICAIS COMPOSTOS DURANTE O PASSEIO NO CALÇADÃO

O rumor das ondas
Mistura-se às conversas --
Tarde outonal.

Edson Kenji Iura

Um céu quase liso --
Sobre a escuridão do mar
Estrelas de inverno.

Teruko Oda

 Início de inverno.
No marulhar das águas
o barco balança.

Iraí Verdan

 Anoitece em Magé
Do
outro lado da Guanabara
O Rio acende.

Sérgio Brown

 Vento de inverno --
Equilibra-se no barco
ave solitária.

Teruko Oda

 Vento sudoeste.
Uma garça pousa no barco
quieta na noite.

Benedita Azevedo

Tardinha de inverno.
Haicaístas observam
o mar agitado.

Benedita Azevedo

 Frio leve de outono --
O Pão-de-açúcar ao longe
Coberto de nuvens.

Edson Kenji Iura

 Visita inesperada,
A garça olha
em volta
Tantas
pessoas

Valdir Peyceré

 Velha mangueira
Observa o Rio de Janeiro
Desde a outra margem

Valdir Peyceré

 Tarde de inverno.
O solitário socó
à espreita do peixe.

Iraí Verdan

 No entardecer,
Aves em bando voam
De volta ao ninho.

Iraí Verdan

 O vento do mar
nos galhos da amendoeira --
Gélido lamento.

Guin Ga Eden

 Atento socó
Passam as ondas uma a uma
Nenhum peixe passa

Juliana Bittencourt

 Pássaros retornam;
ninhos à beira do mar.
Mais um fim de ciclo.

Marilza Albuquerque de Castro

 Final de outono...
Há no balanço do barco
medo de naufrágio.

Maria Nascimento

 

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 10/04/2008 às 12h27
 
10/04/2008 12h12
Grêmio Haicai Sabiá

HAICAIS COMPOSTOS DURANTE A CAMINHADA NA SERRA DO MAR

Manhã em Mauá.
Sobre o muro, as lanternas
Do malvavisco.

Iraí Verdan

 Gaivotas planando
Entre nuvens e verde,
Viajo com elas.

Valdir Peyceré

 Depois da subida,
Surge a esperada paisagem
Entre o bambuzal.

Valdir Peyceré

 Circulo no ar
O céu em nuvens
bando de urubus

Juliana Bittencourt

 Borboleta na serra
Voam mais alto que a linha
Das montanhas ao longe.

Juliana Bittencourt

 Terreno abandonado
Entre os galhos retorcidos
Duas borboletas brancas

Sérgio Brown

 Caminho ensolarado
À sombra da amendoeira
Um pássaro canta.

Sérgio Brown

 Ao lado da tumbérgia
Um tronco queimado
Lembrança de casa.

Sérgio Brown

 Tumbérgia lilás --
Subindo a trilha da mata
Despertam os poetas.

Benedita Azevedo

 Descida do morro --
Sementes de abacate rolam
e junto o poeta.

Benedita Azevedo

 Na curva da estrada
sobre o mato envelhecido --
Quaresmeira em flor.

Teruko Oda

 Lento, mas firme --
Pela mata rarefeita
o sol de inverno.

Teruko Oda

 Manhã de sol --
Disputam o céu de Magé
gaivotas e urubus.

Teruko Oda

 Pé de carambola --
Animado bate-papo
Entre dois vizinhos.

Edson Kenji Iura

 Domingo outonal --
Ao longe o som do pagode
Na baía tranqüila.

Edson Kenji Iura

 Na Praia do Anil
a amendoeira ainda verde
faz uivar o vento...

Guin Ga Eden

Igreja dos Remédios --
Mar adentro, some o píer
na névoa do inverno...

Guin Ga Eden


Publicado por Benedita Azevedo em 10/04/2008 às 12h12
 
24/03/2008 03h38
Discurso de Edson Kenji Iura por ocasião da Inauguração do Grêmio Haicai "Águas de Março"
Foto: em sentido horário: Edson Kenji Iura, Marilza de Castro, Vanise Buarque, Benedita Azevedo, Márcia, Carol Ribeiro, Teruko Oda, Celso Pestana e Nelson Savioli.



Amigos

Já estive em muitos lugares do Brasil e posso relatar uma experiência interessante: não há lugar onde eu me sinta mais estrangeiro do que no Rio. Em nenhuma cidade do Brasil os vendedores ambulantes assediam-me tanto como se eu fosse um turista de um país distante. E em nenhuma outra cidade encontro tantos nativos amáveis tentando conquistar minha amizade dirigindo-me simpáticas palavras em língua inglesa.

Sou brasileiro nascido em São Paulo, uma cidade que se transformou numa das maiores metrópoles do mundo, graças ao sangue e ao suor de milhões de pessoas que não nasceram lá, mas para lá se mudaram, vindas de todos os lugares da Terra. Essa coabitação razoavelmente pacífica de sotaques e culturas teve suas conseqüências boas, e uma delas é justamente a minha presença aqui hoje. Mas tenho medo que o multiculturalismo e a globalização, turbinados pelo poder das relações econômicas, acabem colocando à sombra uma coisa muito preciosa, que é a alma brasileira.

Que alma brasileira é essa? Não sei definir intelectualmente, mas é aquilo que nos enche de emoção ao vermos pela TV as imagens arquetípicas do Cristo e do Pão de Açúcar, lermos em Machado de Assis as mais profundas observações sobre os tipos humanos e o cotidiano na antiga capital do Império, ou ouvirmos um samba de Noel Rosa exaltando a vida boêmia e a malandragem cariocas. Entendi que a causa de eu me sentir um estrangeiro em meu próprio país é o choque do contato, tão raro, com essa alma brasileira, que só tenho aqui no Rio. Para ir direto ao assunto, a alma brasileira tem endereço. Que me perdoem gaúchos, amazonenses e baianos, mas a alma brasileira tem sotaque carioca e mora num ponto qualquer entre os morros e as praias do Rio de Janeiro. O resto é regionalismo ou exotismo.

Enfim, estar hoje na cidade-maravilhosa, no coração do Brasil, cercado de amigos, me enche de confiança para augurar que o haicai brasileiro, não apenas escrito em português, mas o verdadeiro haicai de alma brasileira, só pode nascer aqui, entre os confrades do Grêmio Haicai Águas de Março. Em nome do seu grêmio-irmão paulista, aceitem os nossos votos de vida longa e produtiva.

Edson Kenji Iura
Rio, 16 de fevereiro de 2008
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Publicado por Benedita Azevedo em 24/03/2008 às 03h38



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